Porque o cinema também é feito de palavras e opiniões
Jeremy Coleman (Josh Duhamel) é um bombeiro de profissão com um grande sentido de dever cívico. Após um dia de trabalho como qualquer outro, assiste a um crime pelo chefe de um gang, David Hagan (Vincent D'Onofrio). Sendo a única testemunha e o seu depoimento indispensável para a condenação de Hagan, o detective Mike Cella (Bruce Willis) consegue convence-lo a depor em tribunal, ao passo que seria protegido pelo sistema de protecção de testemunhas. Com sede de vingança, Hagan procura incessantemente matar Coleman e todos os que o rodeia. Encostado entre uma justiça que não funciona e um homem sem piedade, Coleman tem de fazer justiça pelas suas próprias mãos, antes que seja demasiado tarde.
David Barrett, com um percurso muito acentuado na televisão, estreia-se na sala de cinema (em Portugal) com um filme de acção do inicio ao fim, com a previsibilidade e a falta de conteúdos que é de esperar neste género de filmes. Para além da estreia de Barrett, surge o primeiro registo do agora argumentista Tom O'Connor. A dupla de estreantes fazem, na verdade, um filme que não é fantástico, não trás novidades e não tem nenhuma razão subjacente para ser visto. A única razão para ver Fogo Contra Fogo é apenas a de ver um filme sem que este tenha de ser particularmente bom. Os actores que já deram provas do seu trabalho, Josh Duhamel (Lennox em Transformers 3), Bruce Willis (John McClane em Die Hard 4.0 - Viver ou Morrer) ou 50 Cent (Malo em Freelancers), para nomear apenas alguns, acabam por ter papeis secundários no filme. Duhamal no papel principal, transforma-se num assassino implacável entre o início e o fim de uma chamada telefónica; Bruce Willis contenta-se com um papel secundário que quase não marca o filme; 50 Cent surge no ecrã para meia dúzia de cenas. Os amantes dos filmes de acção vão certamente deliciar-se com as cenas de tiros em cenários a arder, com personagens que surgem no ultimo segundo para dar a reviravolta desejada e inverter os papeis. Ficam de fora os pormenores, como carros sem matrículas em plena estrada, capacetes anti-fogo que desaparecem de cena ou que deixam subitamente de ser necessários, heróis que vestem fatos mais rápidos que o super-homem, e por aí adiante.
Crítica por Miguel Ramos.
segunda-feira, 13 de maio de 2013, pelas 21:47.36
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Quando Malo (50 Cent) entra para a polícia de Nova Iorque, é confrontado com a proposta de Joe Sarcone (Robert De Niro), um polícia corrupto ex companheiro do pai de Malo. Ansioso por vingar a morte do seu pai, Malo aceita o lugar na polícia corrupta e não olha a meios para atingir os fins. Tiros, ação e vingança é o fermento deste filme que conta uma história já há muito contada e sem trazer o mínimo de interesse para a sala de cinema. O filme vende-se pela música que o compõe e que está sempre presente, perturbando em muitas situações o som das falas das personagens. Com um argumento aborrecido e desconexo de L. Philippe Casseus, o realizador Jessy Terrero optou pelo caminho da futilizada das figurantes (sim, no feminino) e pelos efeitos especiais, que mesmo assim não conseguem acordar uma plateia adormecida. Para não melhorar o tédio que é ver Freelancers, a previsibilidade do filme é esmagadora, não só no que toca ao final escolhido, mas também em cada sucessão de acontecimentos.
domingo, 03 de fevereiro de 2013, pelas 17:08.24
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O Impossível é a adaptação cinematográfica do Tsunami no Oceano Índico de 26 de Dezembro de 2006. Maria Bennett (Naomi Watts) e Henry Bennett (Ewan McGregor) viajam para a Tailândia a fim de passar o natal com os seus três filhos (Lucas por Tom Holland, Thomas por Samuel Joslin e Simon por Oaklee Pendergast). Na até então tranquila manhã de dia 26, enquanto a família descansa na piscina do resort, o mar agita-se inesperadamente levando tudo à sua passagem. Separados, os elementos da família têm de lutar para sobreviver e para se reencontrar no caos espalhado.
Ao fim de 8 anos do acontecimento real, O Impossível faz renascer o sentimento de perplexidade e de impotência com que assistimos ao rescaldo das operações, trazidas até nós pela TV. Esta é uma história real, contada por Juan Antonio Bayona (realizador) que se focou principalmente nas emoções das personagens: pequenas formigas que ocupam hospitais que ficaram subitamente demasiado pequenos.
Os aspectos negativos do filme assentam em falhas pontuais no que toca a pormenores e à continuidade do filme. A respeito da iluminação, chamo a atenção para a cena em que o pequeno Thomas, na noite de dia 25 para 26, vai ao quarto dos pais por estar com insónias. Antes de Maria acender a luz, o cenário "às escuras" é suficiente para vermos tudo o que se encontra naquele quarto, mas quando Maria volta a apagar a luz depois de o filho se juntar a ela, a escuridão é total. É ainda de lamentar que Bayona se tenha esquecido que as feridas, mesmo que pouco profundas não param de sangrar subitamente, como na cena em que Maria e Lucas estão agarrados a uma árvore, instantes depois de serem arrastados pelas ondas. Ainda assim, os efeitos sonoros e alguns pormenores nas imagens sub-aquáticas são uma mais valia no filme, realçando a intensidade e o sufoco que se vive quando tudo anda à nossa volta num ambiente para o qual não estamos aptos. A música propriamente dita não acrescenta nada de extraordinário ao filme, nem deixa de fazer o seu papel - vai canalizando o esperador para aquilo que a cena mostra.
A direcção de atores foi bem conduzida. Destacam-se as interpretações das três crianças protagonistas, que infelizmente vêm os nomes ocultos de muitas sinopses, como se a idade se sobrepusesse à qualidade do papel que encenam. Quando Bayona se propõe a trazer sentimentos para o ecrã, o jovem Holland percorre o espectro desde o pânico nos corredores ao ar livre do hospital onde se vê perdido da sua mãe, até à felicidade do reencontro com os irmãos da personagem que interpreta e que pensava estarem mortos. A nomeação para os Óscars de Watts (Melhor Atriz Principal) deverá tratar-se de um mero erro. Watts interpreta o papel de um mulher que está quase a totalidade do filme deitada numa cama a recuperar de ferimentos.
sexta-feira, 01 de fevereiro de 2013, pelas 19:59.24
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O caçador de recompensas e ex-dentista Dr. King Schultz (Christoph Waltz), compra o escravo Django (Jammie Foxx). Em troca da informação sobre o paradeiro dos irmão Brittle (Big John por M.C. Gainey, Lil Raj por Cooper Huckabee e Ellis por Doc Duhame), King Schultz compromete-se a libertar Django. Uma vez livre, Django entra na missão de encontrar e libertar a sua esposa Broomhilda (Kerry Washington).
Django é um western à antiga... não há duvidas que esse é o objectivo de Quentin Tarantino e daí o realizador e argumentista está de parabéns... mas é quase praticamente apenas por isso que os parabéns são entregues a Tarantino. Django tem sido assinalado como um filme que oferece violência gratuita. O mau é que Django é mesmo um filme demasiado assente em violência. Nenhuma luta que pudesse ter sido evitada, foi evitada. Durante as duas horas e meias do filme predominam sons de pancada, tiros e morte. Os efeitos sonoros são exagerados: o som do bater dos corpos no soalho do chão que se sobressai ao som das falas dos espectadores, o grito de dor que lembra o grunhir de um porco em vez do terror de uma pessoa, ou o som das armas, que entram e atordoam os nossos ouvidos, mas que não são audíveis pelo cavaleiro que está no campo ao lado, a céu aberto. A receita foi simples e baseou-se em focar-nos na violência e na luta, mas se para isso é necessário ignorar que o som de consegue propagar de um cenário para o cenário mesmo ao lado, então que se ignore.
O filme só não acaba por ser mau de todo, pelas mãos de King Schultz, que trás momentos de comédia ao filme. Pequenos momentos de risos que se instalam entre mortes, para nos ir acordando do tédio que é ir vendo luta atrás de luta. Tarantino poderá ter conseguido retratar a época na qual o filme se situa (pré-guerra civil), mas fe-lo de forma exagerada e focando apenas e unicamente uma das vertentes dessa era: a vertente criminal.
domingo, 27 de janeiro de 2013, pelas 14:46.54
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Alex Cross (Tyler Perry), é um detetive da Polícia de Detroit com uma aptidão quase sobrenatural para o cargo que ocupa. Juntamente com Tommy Kane (Edward Burns) e Monica Ashe (Rachel Nichols), Cross tem de encontrar um psicopata fascinado pela dor (Picasso por Matthew Fox), que procura assassinar Leon Mercier (Jean Reno), uma das pessoas mais influentes de Detroit. O que Cross desconhece é a sede de vingança que corre nas veias de Picasso e que o faz virar a atenção para a dor da equipa de detetives que o investiga. Rob Cohen assina mais um filme carregado de efeitos especiais e visuais, mas descuidando os pequenos pormenores que apesar de não saltarem à vista por ficarem camuflados com tantas explosões, sempre vão aparecendo no canto do ecrã. A direção de figurantes é ridícula ao ponto de assistirmos a uma comédia se formos virando a nossa atenção para o que acontece atrás do plano principal.
A adaptação dos efeitos sonoros e da música à imagem do ecrã derrapa em algumas cenas. A música ritmada contrasta com uma câmara lenta e o som dos invólucro das balas não deveria soar antes da luz do disparo sair da arma. Ainda assim, John Debney consegue fazer alguns tiros certos. O trio de argumentistas (Marc Moss, Kerry Williamson e James Patterson) põe na mesa a sua inexperiência. De facto, nenhum deles fez até hoje nenhum filme que salte muito à vista. A aptidão demasiado sobrenatural de Alex Cross é maçadora. Não se provou que Alex Cross é realmente inteligente. A sua inteligência surge da leitura que Tyler Perry fez do guião. Se do nada Cross acredita que apenas um homem está envolvido num homicídio, então querem-nos fazer acreditar à força. E infelizmente foi mesmo tudo feito por apenas um Picasso que está num comboio! Cross não é inteligente, pelo contrário, é o resultado de uma crença que os argumentistas querem plantar no espetador.
No grupo de atores brilha Matthew Fox que não deixa a menor duvida quanto aos sentimentos de Picasso. Claro e transparente como água límpida, somos atingidos em cheio por aquela vontade incessante de sentir dor em si ou nos outros. Dado o trabalho pirotécnico, Eu, Alex Cross é um filme para se ir vendo em casa, quando estrear num dos canais de sinal aberto, enquanto se fazem outras mil e uma coisas.
sábado, 05 de janeiro de 2013, pelas 23:18.59
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Ora aí está um filme tipicamente português: mau, mau, mau. É tão português, que conseguiram pegar numa ideia excelente e estragá-la com meia dúzia de takes de silêncio pungente (Neste momento, já tenho os pseudo-intelectuais de sobrancelha carregada, com ensaios mentais a defender o cinema português, porque é um cinema mais refinado, não é comercial nem popular, requer um gosto mais requintado, mais erudito, etc. Algures, convencionou-se que os verdadeiros iluminados devem gostar de obras marginais à grande corrente popular). Eu gosto de obras divergentes, mas isto que se apresenta é mau, muito mau, e nunca um adjetivo tão pequeno classificou uma verdade tão óbvia: Só um filme português para mostrar uma guerra que se arrasta pelo ecrã, em constante procissão (são duas horas de procissão de soldados em péssima representação, exatamente por isso, porque representam, porque lhes disseram, «caminhas para representar esta cena», em vez de lhes dizerem «caminhas porque precisas de chegar a Lisboa antes dos franceses»). E eles lá vão, com umas caras miseráveis, passo a passo, acompanhados por uma música triste, pachorrenta, que não mostra nada.
Os diálogos mal se percebem, e a metáfora que o filme faz por mostrar sem mostrar, para que só os iluminados a compreendam é tão óbvia que faz doer os neurónios; percebe-se ao fim de alguns minutos, que o filme é uma ode à dor e à miséria do povo, mitigado pela soberba de alguns militares de alta patente. Pronto, entendi e não sou iluminado. O resto, é um desfile de 2h secantes.
Crítica por Rodrigo Ramos.
sábado, 05 de janeiro de 2013, pelas 19:19.30
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Durante os tempos da Lei Seca nos Estados Unidos da América, os irmãos Broadabent (Jack por Shia LaBeouf, Forrest por Tom Hardy e Howard por Jason Clarke), constroem uma fortuna através do contrabando. Quando toda a concorrência está eliminada, o agente especial Charlie Rakes (Guy Pearce), vira as atenções ao império Broadabent iniciando-se um jogo do esconde e arrisca. Dos Homens sem Lei conta-nos uma história desinteressante que se vai vendo apenas pela curta curiosidade de saber onde é que o filme acaba. As personagens, construídas em cima do joelho, não demonstram as suas emoções, o que deixa por explicar algumas das suas reações. Salva-se, no principal pepel, Shia LaBeouf, que consegue construir a sua história familiar e de amor.
O drama familiar vai-se misturando com a história de gangsters sem que se dê espaço a nenhuma das duas vertentes em particular. Seria um equilíbrio otimo, não fosse nenhuma das histórias estar bem contada. Nick Cave tem mostrado o seu trabalho em adaptação (por exemplo em Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1), ao passo que Matt Bondurant surge agora pela primeira vez no mundo da sétima arte, mas ainda assim, a dupla falhou na adaptação da história que tinham em mãos (lembro que o argumento é baseado em factos reais). A fotografia (por Benoît Delhomme) está entre o aceitável e o bem conseguida. Como director de fotografia, Delhomme não tem ainda um curriculum muito interessante, mas mostra um pouco do seu potencial. A camuflagem das refinarias e a adaptação dos cenários à época são uma mais valia no filme, alias, umas das poucas coisas positivas em Dos Homens sem Lei. Ainda assim, fica a sensação que Delhomme podia ter feito mais.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012, pelas 15:12.47
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Depois do Dragão Smaug ter destruído a cidade Dale, no coração da Montanha Solitária, os anões do Reino Erebor perderam as suas casas. Quando os sinais de que o Smaug poderá ter definhado começam a surgir, 13 anões e o Feiticeiro Gandalf o (ainda) Cinzento (Ian McKellen) embarcam numa aventura, a primeira aventura na qual um hobbit (Bilbo Baggins por Martin Freeman) participa, desta feita como salteador. O objetivo da missão é confirmarem se o dragão está realmente morto. Mas a verdadeira aventura começa muito antes, mal os seus pés deixam o Shire. Entre fugas e lutas de vida ou morte, Bilbo encontra-se com uma bizarra criatura, Gollum (Andy Serkis), detentora de um anel precioso e cuja história foi recontada de forma brilhante por Peter Jackson na trilogia O Senhor dos Anéis (adaptação da trilogia literária do escritor J.R.R. Tolkien).
Para muitos, O Hobbit é uma história à muito aguardada. Passaram-se nove anos desde que deixámos para trás o Shire e somos agora finalmente convidados a visita-lo de novo. Como seria de esperar, o Shire está (ou melhor, estava) igual ao próprio Shire, como sempre foi, como sempre será e como é suposto ser para sempre: Belo, calmo, sereno, mas acima de tudo, imutável, ou não fossem estas as principais características dos seus habitantes. Para o espetador é como voltar a casa após uma viagem de nove anos à volta do mundo. O espetador vai vendo a aventura do pequeno Bilbo e deliciando-se com as memórias que mantém do passado: quando Gollum surge no ecrã o burburinho levanta-se na sala... Finalmente Gollum e o anel mostram-se à plateia ansiosa para os ver.
Como seria de esperar, o filme foi feito com cuidado e o resultado está muito próximo do que era de esperar. Howard Shore (responsável pela música) fez exatamente aquilo que era suposto: povoo a história de músicas que encaixam na perfeição e no contexto do filme, mas que ainda assim passam despercebidas, tal como se quer numa boa banda sonora. A fotografia (por Andrew Lesnie) é também brilhante e não de esperar outra coisa... ao fim e ao cabo, os trabalhos de casa já estavam feitos. Depois das críticas em relação a'O Senhor dos Anéis em que se pediam dois filmes para cada livro, Peter Jackson foi para campo com a ideia de dois filmes esticando-os depois para mais um terceiro. E tanto foi o jogo do estica que o esperador sente isso na sua cadeira de cinema. Apesar do ritmo incessante das batalhas, o filme patina demasiado e avança menos do que seria de esperar. Cada capítulo, cada página do livro original é pormenorizadamente posto na tela. A ação não pára, mas o filme anda a marcar passo.
Se há filmes em que o 3D é dispensável, há também outros em que esta tecnologia é parte integrante da história. Aqui, a profundidade dos cenários foi muito bem conseguida e o 3D atira-nos violentamente para o meio da ação, sem que Peter Jackson tenha de nos atirar objectos contra a cara, como é muito normal pelos realizadores que adoptam a tecnologia. Esta não está lá para interagir com o espectador, mas como um auxiliar ao visionamento do filme.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012, pelas 14:05.38
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No último filme d'A Saga Twilight, Bela (Kristen Stewart), Edward (Robert Pattinson) e Jacob (Taylor Lautner), voltam a enfrentar os Volturi, quando estes descobrem que o novo casal Cullen tem a seu cargo uma criança imortal. Entre a possibilidade de se verem chacinados ou de morrerem numa batalha contra os Volturi, a família Cullen e os seus amigos vão tentar provar que a sua filha (Renesmee por Mackenzie Foy) é na verdade meia-mortal.
O último filme da saga é como os três que o antecederam. Quem gosta do primeiro, irá gostar certamente de todos os outros: Continuamos a assistir à mesma receita, mas apenas nuns passos mais à frente. A saga termina com um filme recheado de paisagens apaixonantes e com muito romance no ar, mas ainda com o triângulo entre Bela, Edward e Jacob escondido nas entrelinhas (mantendo o registo criado no casamento de Bela e Edward, já do filme anterior). A alcateia de Jacob continua porém presente no filme a fazer pouco mais que nada. No fundo, Stephenie Meyer (autora da saga literária original), parece não querer desfazer-se de Jacob e manteve-o desnecessariamente colado ao ecrã. Há já muito tempo que Jacob é apenas uma sombra que deambula na vida de Bela, e se a sua função era transmitir que o amor pode ter um lado de sofrimento, a mensagem não foi bem passada. Além do mais a história não é de forma alguma, uma história de vampiros e lobos (não o é agora e já o deixou de ser há alguns filmes atrás). Mas há mais: Na ânsia de valorizar a família, arrasta-se na história o pai de Bela (Charlie por Billy Burke). Nada faz de especial, nada diz de interessante e quando aparece podia simplesmente fazer parte de uma cena cortada. Surgir no filme para nada saber e sobre nada se interessar, é pouco diferente de não surgir de todo. Ainda mais quando as suas emoções estão totalmente fora da personagem que encara, ou pelo menos não é aquele o aspeto que se espera de um pai que não sabe se a filha está viva ou morta.
Não me quero emaranhar pelos spoilers do filme, mas não posso deixar de felicitar Bill Condon (realizador) por ter conseguido trazer ação a um filme cujo argumento original não a tinha. Num jogo de cintura de génio, Condon consegue surpreender mesmo aqueles que já levam os trabalhos de casa feitos. Quem leu os livros sustem a respiração, enquanto que quem não os leu assiste tranquilamente ao desenrolar da ação, a ver onde vai para... até que para mesmo e fica demasiado parada. Volto a Stephenie Meyer: Se durante toda a saga nos deu romance, seria de esperar alguma coisa um pouco mais interessante para o final, mas surpreendentemente (e não de forma positiva), a saga termina como começou. No fundo, se esta história tivesse acontecido num mundo real, qualquer notícia sobre ela seria dispensável. Não se pode fazer uma história em que o final é pouco diferente do início. Aliás, não fosse Bela acabar como vampira a história nem sequer tinha ocorrido!
Meyer teve porém um momento de lucidez recheada de ironia, ao batizar Bela com um dom ainda inexistente na família Cullen. Nos três primeiros filmes, a rapariga humana atrai todo um leque de problemas à família sanguinária, para no final, ao tornar-se vampira, atrair para si o dom de proteger-se contra os poderes dos outros, efeito esse que consegue (de forma demasiado fácil, diria eu) alargar à sua nova (e praticamente única) família. A fonte de problemas dos Cullen é agora a sua proteção.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012, pelas 14:57.17
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Para descobrir a origem da vida na Terra, uma expedição de cientistas é levada na nave Prometheus, até um sistema solar distante, que tem sido apontado (literalmente) pelas civilizações ancestrais, como o nosso berço. Mas a expedição revela que não está só eminente a descoberta da nossa origem, mas acima de tudo, a nossa extinção. «Prometheus» é o primeiro de pelo menos dois filmes que formam a prequela de «Alien» (1979), ambos de Ridley Scott.
Quem vê «Prometheus» assiste a uma sucessão de imagens violentas gratuitas e desnecessárias. À medida que o filme vai progredindo, as cenas crescem na dose de repugnância transmitida ao público. No fundo, dado que o filme não pode vencer por um argumento mal construído, parece que se tenta fazê-lo vencer pelo mau estar causado na plateia. Um filme de ficção permite que tudo seja possível, porém tem de ter uma base plausível ou então tudo poderia ser posto em causa. Na cena inicial do filme procura-se demonstrar a formação da vida na terra, mas sem a mínima base biológica. Acreditar que uma molécula de ADN pré-formada poderia ser degradada, e mesmo assim resistir às condições para recriar vida sai, de todo, da esfera do que é aceitável.
A produção do filme parece que se foi esquecendo aos poucos que a ação acontece no ano em que acontece e com toda a tecnologia que contextualiza a expedição. Não faz sentido existir uma nave com aquele calibre e todas as condições capazes de conduzir as pessoas àquele sistema longínquo, enquanto que a cadeira de roda de Peter Weyland (Guy Pearce, uma das personagens com maior importância da nave) se mantêm como as que existem na atualidade, ou mesmo que os fatos espaciais são tão frágeis que permitem a uma simples arma, que também existe na atualidade, os desfaça. Seria de esperar mais numa missão cientifica com o calibre de Prometheus e muito mais deste filme.
sábado, 24 de novembro de 2012, pelas 23:49.14
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6378
788
70
2
1. Freelancers (2012)
2. O Hobbit: Uma Viagem Inesperada (2012)
3. Fogo Contra Fogo (2012)
4. Eu, Alex Cross (2012)
5. Django Libertado (2012)
6. A Idade do Gelo 4: Deriva Continental (2012)
7. Brave - Indomável (2012)
8. O Impossível (2012)
9. Dos Homens Sem Lei (2012)
10. A Saga Twilight: Amanhecer Parte 2 (2012)
De acordo com os acessos únicos às críticas no último mês.